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domingo, 27 de outubro de 2019

Queirós e o Deserto

Mais uma vez despedido
Queirós enfrenta o deserto,
Olha a vastidão empedernido
Um caminho já seu conhecido
E avança de peito aberto,

Recapitula a velha rota
Que outrora percorreu,
Onde sofreu o orfanato
Cada vez que o patronato
Sua carreira interrompeu,

Carrega farnel e cantil
E diplomas de professor,
Dorme a coberto da noite
E por muito que se afoite
Tem Vénus por cobertor,

Sua cama são contratos
Que em tempos assinou,
E cartas de despedimento
Amarelecidas ao relento
Das luas que já contou,

No alforge o projecto
E na arca a tal temática,
Que é o cerne da questão
Do cofre a combinação
E do futebol a táctica,

Irá caminhando os dias
Por dunas e desfiladeiros,
Desportivo explorador
Do talento e do vigor
Aguardado por olheiros,

Não tardará muito Queirós
Terá outro contrato assinado,
Com um grande do desporto
Que por estar semi-morto
Pretende ser ressuscitado,

Lá vem o fim do deserto
Já Queirós limpa o suor,
E o projecto recomeça
Com uma nova promessa
De ir de pior para melhor,

E depois basta esperar
O despedimento futuro
Nova travessia no deserto
E o que é mais que certo:
- Porra! Queirós é duro!


9-9-2010

Tempos Difíceis

Correm tempos difíceis
O medo anda a pairar,
Um inimigo, desconhecido
Congemina escondido
Estratagemas para atacar,

Será a guerra biológica
Na nova gripe porcina?
Ou na crise mundial
O abanão estrutural
Que o capitalismo domina?

Sabemos é, com certeza
Que há decisões a tomar,
Há uma nação a defender
Com tácticas a conceber
E defesas que levantar,

(Somos um país pequeno
Mas sempre muito aguerrido.
Embora sejamos pobres
Os sentimentos são nobres
E o amor à pátria sentido,


Compramos submarinos
Blindados e velhos aviões:
Não pomos limite à despesa
No que toca à defesa
Somos assim: uns cagões),

E puxando pelas linhas
Que Aljubarrota traçou,
Temos tudo preparado
Para refazer o quadrado
Que à vitória nos levou,

Que venha esse inimigo
Seja lá ele donde for,
A Al Quaeda ou a Mossad
De Telaviv a Islamabad
Espera-o aqui o terror,

Venham que temos cá
Recepção a condizer,
Uma arma de espantar
Que não sendo nuclear
Não mata mas faz doer,
Temos estado de atalaia
Temos tudo preparado,
Conhecemos o terreno
E neste país pequeno
Estamos por todo o lado,

E quando o inimigo sair
A marchar dos seus quartéis,
Vamos usar um expediente
Já testado recentemente
Na Avenida Almirante Reis,

Pois por mais bravura
O peito inimigo encerre,
Nunca estará preparada
Para um desfile, em parada
De motas da GNR.

5-6-2009

Tutmesés MMXIX

Eis mais um duro golpe
Na ocidental democracia
Limparam o sebo ao Morsi
Venceu a cleptocracia,

Foi o povo que o escolheu
Não veio de família real
Não recebeu testemunho
Para o osírico tribunal,

No Antigo Egipto
O faraó era Deus
Era uma teocracia
E poucos seriam ateus,

Mas existia o Maat
Que o faraó garantia
E se não o conseguisse
Pouco tempo duraria,

Pelos vistos o Morsi
Não cumpriu com o Maat
Os sacerdotes actuais
Mandaram-no para abate…

20-6-2019

Tibiezas do Destino

... - Como está o seu coitadinho?
- Olhe, pobre homem, morreu...
- Era tão boa pessoa...
- E foi um anjo que o abateu!

- Veio de lá de cima severo
  E com um bastão lhe tocou
  Ele caiu redondo no chão
  E nunca mais se levantou...

- Então, se calhar, afinal
  Não era flor que se cheirasse,
  Sabe-se lá quem ele era...
  Ai, se o mal se notasse...

- Olhe que a partir de agora
  É em contagem decrescente
  Até que a decomposição
  Ao cadáver se apresente!

- E já não há volta atrás...
  Os Lázaros não são poucos
  Mas quem os tenta ressuscitar
  Soma-se à lista dos loucos!

- Vamos mas é embora
  Antes que comece a feder
  Já aqui anda uma varejeira...
  Nada podemos fazer...
 
- Vamos deixar este morto
  Para a viúva do costume
  Não presta contas ao luto
  E muito menos ao ciúme...

27-9-2019 - 18.40

Mala de Mulher

Quase todas as mulheres
Têm uma mala assaz pesada
E parece que é por a terem
Lá no fundo bem lastrada,

Um ou dois canos de chumbo
Lá bem no fundo da mala
Prometem alguns dissabores
A quem numa má lhes fala,

Quando abrem a mala
Sai de lá quase tudo
Menos o que procuram
E um gajo fica mudo…

Ao ver aparecerem
Como da cartola saídas
Insólitas miscelâneas
À pressa para lá metidas,

Porta-chaves, papelada
Isqueiros, rimel e dinheiro
De vários países e valores
E, pasme-se, um pimenteiro!

Provávelmente trazido
Duma opípara refeição
Onde lá abriu a mala
E lhe caiu tudo ao chão,

E juntamente encafuado
Na mala com tudo o resto
Por certo caído ao chão
Por um descuidado gesto,

Vai-se dispondo na mesa
Do café grande confusão
São tralhas e mais tralhas
Até que alguém diga – Não!
 
- Ouve: tira tudo da mala
  E volta o tudo a arrumar
  Só assim vais descobrir
  O que andas a procurar!

- É pá divides tudo em lotes
  Classificados por etiquetas
  Cozinha, casa-de-banho
  Quarto, despensa e gavetas!…

- Vais o que buscas achar
  E acabar com a procura
  Porque a seres sempre assim
  Quase ninguém te atura!
 
E é graças estas razões
Aqui e agora reveladas
Que as malas das mulheres
São sempre bué da pesadas.

22-8-2019 – 17.10