domingo, 24 de novembro de 2019

Memórias de Casa


O vento sopra forte no saguão
A chuva anuncia-se na escada
E a noite apresenta de antemão
Mais um dia triste em caminhada,

A Lua não aparece neste céu
Esconde-a a chuva copiosa
E a visão simples e clara como eu
Promove uma sensação curiosa,

Eu via da porta a moldura
Velha, há tanto tempo talhada
Naquela madeira assaz dura
De velhas colónias importada,

Aqui neste quarto improvisado
Confirmando o que já se conhece
Assumo a tristeza do passado
No doce fruir desta benesse,

E após divagar sobre aquela fonte
Que jorra de tudo o que se sente
Posso revelar que navegando
Não há nascente nem poente,

Um náufrago só, numa ilha
Vivendo a vida em verdade
Trata a solidão como filha
Acometido de felicidade.

199?

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