domingo, 27 de outubro de 2019

A Cidade

O meu mar é a cidade
E estou aqui para receber
Ondas pulsantes que vêm
Nesta colina morrer,

São vagalhões de vibração
Da bela e antiga cidade
Espuma que fala de vidas
Desvanecidas na idade,

E vejo ao longe o Tejo
Que calmo persegue a foz
E traduz assim um desejo
Que habita em todos nós,

Aqui na colina a assistir
A mulher-cidade a acordar
Aponto no bloco de notas
Tudo o que tenho a anotar,

É o silêncio que preside
Ao desenrolar do poema
E nem tenho de procurar
Pois até já tenho o tema:

É Lisboa, a minha cidade
De avenidas e vielas
De ruas e serventias
Tema de muitas telas,

Lugar de muita história
De sangue e suor pingada
O seu nome teve origem
Na amena e gentil enseada,

Que aos barcos prometeu
A âncora ficar bem presa
No fundo que o rio ofereceu
Como um almoço na mesa,
 
Lígures, Fenícios, Berberes
Já por aqui passaram tantos
E não é que todos cantaram
De Lisboa os seus encantos?

As suas colinas abruptas
As suas penhas disfarçadas
De miradouros e arvoredo
Aqui e além pespontadas,

Os seus lugares antigos
Lá bem à beira do rio
Em boqueirões que deram
O seu nome ao casario,

Poderosos remanescentes
São por vezes evocados
E por alguns recolhidos
Das janelas do passado,

Por vezes alguns cheiros
Evocam os descobrimentos
E misturam-se ao caril
O azeite e os pimentos,

Cidade cosmopolita
De muitas línguas e nações
Aqui vivemos todos usando
Da moirama os seus padrões,

Viver e deixar viver
Cada um com a sua vida
Pela multidão de etnias
Fractalmente colorida,

Podia ficar a escrever
Por Lisboa todo o dia
Musa da minha origem
Mote da minha poesia,
 
Mas fica para outra altura
Que a volte a contemplar
Não me faltará inspiração
Isso está sempre ela a dar...


25-8-2019 – 08.10

Sem comentários:

Enviar um comentário